Entrevista

Entrevista ao programa de TV “MESA DE NEGÓCIOS”
21 de fevereiro de 2006
Jornalista Inácia Soares

ORGANOGRAMA: VERTICAL E HORIZONTAL
Qual a melhor opção?

Como funciona o organograma da sua empresa? Ele é vertical ou horizontal?

Organograma vertical é aquela estrutura empresarial baseada em uma hierarquia muito grande, com vários diretores, gerentes e subgerentes... É a história de se ter muito cacique para pouco índio. Já o horizontal é um modelo adotado por empresas que querem simplificar as relações internas, diminuindo as barreiras entre a alta direção e o restante da equipe. Qual é o modelo mais adequado para as empresas de hoje, que mudam tanto e precisam de mais agilidade do que era exigido nos negócios antigamente? Para responder a esta pergunta, meu convidado foi o consultor de empresas, Luis Antônio Borges. Luis é formado em Engenharia Mecânica, tem mestrado em Engenharia Sanitária e Ambiental, é professor universitário e especialista em Planejamento e Gestão Estratégica de Negócios. Segundo o especialista, o caminho é horizontalizar a estrutura hierárquica das empresas. Afinal, elas precisam de respostas mais rápidas, e a velocidade no trânsito das informações e na tomada de decisões se torna muito maior. Caso contrário, quanto maior o nível hierárquico da organização, quanto mais superiores tiverem que ser consultados, mais difíceis serão essas respostas. “Às vezes, é uma decisão que tenho que tomar às nove horas da manhã, mas eu tenho que consultar tanta gente, que pode ser que o mercado não me espere”, explica.


Apesar de defender a horizontalização, Luis deixa claro que cada caso é um caso. Logo, para se decidir sobre qual organograma utilizar, é preciso analisar o próprio negócio, saber o que a empresa faz, que produto vende, qual o foco... Só após este levantamento é que a empresa deverá decidir pela melhor estrutura de gestão. O consultor ressalta a importância de se ter líderes dentro das empresas. Nos dois tipos de organograma, é necessário que eles sejam mais do que líderes, que sejam também gerentes, mas principalmente no caso da horizontal, em que a hierarquia é menor e as decisões precisam ser tomadas com mais agilidade. Muitas vezes o líder tem todo o talento necessário para estimular a equipe, mas não sabe gerenciar. Segundo Luis, esta é a maior dificuldade hoje das empresas, ter este perfil de profissional. O desafio é diário. Para superá-lo, é preciso ter foco e clareza no que se pretende, no produto ou serviço que oferece, e entender que o negócio tem que gerar resultado, tem que trazer retorno. “Só assim eu começo a pensar em como minha estrutura ajuda ou atrapalha a atingir essas metas”, conclui. Segundo ele, a estrutura tem que ser leve e tem que dar resposta em tempo real. Luis ainda faz uma observação: há momentos em que as empresas ficam travadas, mesmo tendo toda uma estrutura tecnológica que favoreça o negócio, por não adotar o organograma adequado para este negócio.

Para quem pensa em abrir um negócio, fica a dica. Para quem já tem um negócio, fica a pergunta: será que a sua empresa adotou a melhor estrutura?

 

 
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